Por Que as Grandes Marcas Deveriam Prestar Atenção no TikTok

Assistir a todo esse buzz sobre Tiktok não tem preço.

Tendo se tornado um dos aplicativos mais baixados do mundo, hoje a plataforma já tomou proporções consideráveis o suficiente para entrar no radar de muita gente. 

Porém, há dois anos atrás, quando escrevi sobre ela (que ainda se chamava Musical.ly) pela primeira vez e fiz algumas previsões sobre a sua relevância, a história era bem diferente.

Mas mesmo assim, com todo o hype, ainda vejo um nível de confusão considerável no debate sobre a plataforma e um número maior ainda de executivos negligenciando o novo incumbente.

Meu intuito com esse artigo é, então, trazer um pouco mais de clareza sobre como olhar para essa dinâmica e, quem sabe, fazer uma ou duas pessoas mudarem a forma como veem a plataforma.

Preste atenção nos early adopters

Eu não sei se todo mundo sabe disso, mas todas as redes sociais que, hoje, dominam os smartphones e o dia a dia das pessoas nasceram no seguinte demográfico: 1. mulheres, 2. jovens.

Todas.

Quem eram os early adopters do Instagram em 2011? Mulheres jovens.

Quem eram os early adopters do YouTube em meados de 2005? Mulheres jovens.

Quem eram os early adopters do Facebook há 15 anos atrás? Mulheres jovens.

O mesmo aconteceu com plataformas que também explodiram, mas não existem mais: Friendster, Myspace, Orkut.

Entenda: todas começaram no demográfico mulheres/jovens.

E por que que eu estou dando tanta importância para esse fator?

Porque quando a gente olha para os primeiros índices do TikTok o que a gente encontra? 

Isso mesmo. Um demográfico apontando que 90% dos usuários tinham menos de 23 anos, sendo 75% mulheres.

E eu, obviamente, tenho algumas teorias do porquê desses executivos estarem ignorando o TikTok. E te conto agora.

Preconceito

Tão simples quanto isso. Existe muito preconceito em torno do TikTok.

Da mesma forma que existia preconceito em torno do ato de tirar uma selfie há 3-5 anos atrás.

Absolutamente todas as redes sociais que hoje dominam o digital ou mesmo os hábitos que se naturalizaram (como as selfies), algum dia, foram consideradas teen de mais ou “de mulherzinha”.

Isso é uma besteira tremenda. As pessoas insistem em julgar o novo.

As pessoas precisam entender que, ao longo do tempo e conforme a popularidade aumenta, surgem novos demográficos que ganham mais espaço e, consequentemente, atraem todo o tipo de público. 

Pessoas mais velhas, homens e até mesmo um público mais conservador. 

Eu te garanto que, assim como as principais plataformas massivas têm todo o tipo de público e se tornaram uma aliada gigantesca para as marcas, o TikTok, muito em breve, também vai ter.

Falta conhecimento sobre a dinâmica de distribuição orgânica

Eu venho falando sem parar sobre Linkedin ao longos dos últimos meses, especialmente enquanto o alcance orgânico do Instagram cai.

De fato, o LinkedIn ainda tem um alcance tremendo e é uma plataforma para se jogar de cabeça.

Mas a verdade é que, assim como o alcance orgânico do Facebook, YouTube e Instagram já caíram drasticamente, o mesmo vai acontecer com o LinkedIn.

Agora veja, o TikTok é a única plataforma que pode fazer com que um vídeo de um perfil com 150 seguidores consiga 4 milhões de visualizações. 

A dinâmica de distribuição orgânica e viralização lá dentro é tremendamente positiva para um criador de conteúdo.

Por isso que eu bato tanto na tecla de que essa é uma plataforma que todas as pessoas precisam olhar com muito carinho.

Transição geracional

Várias das marcas que perdem relevância ao longo do tempo são marcas que tocam muito mal a transição geracional.

Em outras palavras, marcas que não conseguem – ou se recusam – a acompanhar o movimento do mundo.

São marcas que eram muito relevantes no rádio e, na hora que a TV apareceu, não fizeram um trabalho tão bom.

São marcas que eram muito boas na TV e, na hora que o computador apareceu não fizeram tão bem a transição.

São marcas que eram muito boas no Desktop, mas não souberam migrar para o mobile.

A dinâmica de hoje em dia deixou de ser uma dinâmica de aparelhos. Nós vivemos numa dinâmica de plataformas.

Garanto que você consegue facilmente se lembrar de alguma marca que dominava o Facebook, que tinha um alcance orgânico tremendo, mas na hora que o cenário começou a mudar, não acompanharam as mudanças nem adaptaram às outras ferramentas emergentes da época e sumiram do mapa.

Então se você é, hoje, uma marca já consolidada em outras frentes, ou seja, em outras plataformas sociais, você precisa urgentemente fazer essa transição.

Eu digo isso porque o motivo pelo qual eu estou postando 3-4 vezes ao dia no TikTok é porque eu quero que os jovens de vinte anos de hoje, quando tiverem trinta, me tenham como referência em marketing, mídia, empreendedorismo, criatividade e todos os nichos pelos quais eu me posiciono.

A transição não precisa ser instantânea, ela pode – e deve – ser feita a longo prazo. Entender a ferramenta, compreender a linguagem e o público são processos que levam tempo.

Mas que, ao mesmo tempo, não podem deixar de acontecer.

Medo de ser temporário

Sempre que eu falo de TikTok alguém me rebate falando: “mas e se ele for igual ao Vine?”, “e se for igual ao Orkut?”, “e se for igual ao Snapchat?”.

Sinceramente? Eu não estou nem aí se o destino do TikTok for igual ao dessas outras plataformas que tiveram uma ascensão rápida e uma queda mais rápida ainda.

Eu estou interessado no agora. E agora é o momento em que eu sei que posso ganhar awareness e exposição de marca de uma forma desproporcional. E de graça!

Uma vez que você acerta a mira em uma dessas plataformas, não interessa se ela vai estar viva daqui a quatro ou cinco anos. 

Você tem que estar preocupado, de verdade, em compartilhar um vídeo tão bom que vai ser assistido por vinte milhões de pessoas do mundo inteiro.

E é para esse lugar que você deveria estar olhando. Nenhum outro.

Eu odeio a narrativa que as pessoas constroem de que é melhor esperar uma marca se consolidar para, então, fazer parte dela.

AS PESSOAS PRECISAM ACOMPANHAR O MOVIMENTO DO MUNDO.

Se é hoje que você pode ter uma distribuição orgânica massiva gratuita, ganhar uma exposição absurda, por conta de um algoritmo que entrega milhões de pessoas… você não deveria estar nem um pouco preocupado com o que pode acontecer daqui a dois anos.

Se você ficar parado no tempo, eu tenho certeza que quando 2021 chegar, você vai olhar para trás e pensar “puts, eu poderia ter conseguido 27 bilhões de impressões sem gastar um centavo quando o TikTok tinha um algoritmo ótimo”.

Cruzar audiências

Bom, já falei sobre exposição massiva, explosão viral, bilhões de impressões e nenhum centavo investido. 

Tudo o que você pode conquistar através desses fatores podem ser facilmente migrados para outras plataformas.

Você consegue translocar a sua plataforma de uma rede à outra.

Hoje já conseguimos ver uma gama de designers, dançarinos, arquitetos e corretores que eram totalmente irrelevantes no Instagram e, depois que estouraram no TikTok, usaram desta audiência para crescer os seus números nas demais redes.

O TikTok é só uma porta de entrada para que você domine todas as outras grandes redes.

Se você acha que Instagram, YouTube ou até mesmo que o seu podcast já perdeu o timing da plataforma, seja esperto o suficiente para fazer o caminho inverso.

1 conteúdo pode mudar tudo

Não importa se é uma empresa de capital aberto, se é “pequena demais”, se é uma startup em crescimento ou se é um profissional autônomo.

Você deveria estar postando 3 TikToks por dia, todos os dias. 

Isso mesmo. Nada menos do que isso.

Basta um, apenas um conteúdo seu explodir para que você inicie um processo de grande reconhecimento para sua marca.

Vai parar de pensar quando?