O altíssimo impacto na cultura e na economia por meio dos criadores de conteúdo

av_timer 9 min
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Creators Economy em 15 segundos:

Creators Economy é a capitalização do trabalho de um criador ou criadora de conteúdo, seja fazendo lives, gravando stories ou até mesmo escrevendo um texto mais complexo no Medium. E não só isso. O termo é atribuído aos inúmeros negócios construídos por creators independentes, desde streamers até instagrammers ou tiktokers, que monetizam o próprio trabalho feito através das redes sociais, com suas habilidades de comunicação, criação de conteúdos e criação de negócios.

A internet abriu diversas possibilidades para os criativos rentabilizarem suas especialidades, seja pela própria plataforma onde estão inseridos ou pela manutenção de suas comunidades, que se engajam e o ajudam a se manter vivo dentro deste mercado.

Para se ter uma ideia, esse volume de criadores de conteúdo passa dos 50 milhões e é distribuído em diversas plataformas digitais. Aqui, na imagem abaixo, você consegue ter uma ideia melhor do que eu estou falando.

Ter uma base de fãs forte é o que sustenta a relevância de um creator a partir de suas comunidades, além das interações, que é quando abrem-se discussões sobre o conteúdo compartilhado e é de onde surgem muitos insights para fazer com que se crie mais e melhor.

O que antes era visto como algo apenas para entreter, está tomando cada vez mais uma maturidade e proporções financeiras enormes. Podemos dizer que Creator Economy é uma evolução em 360º do Influencer com o objetivo de gerar negócios reais, transformadores e altamente rentáveis.

Antes blogueiros e blogueiras, hoje transformadores e tracionadores de cultura, economia e negócios.

Sobre o que vamos falar nesta tese:

  • Marcas tradicionais estão compartilhando a participação na estratégia e na produção de conteúdo nas mãos de creators, abrindo ainda mais possibilidades de monetização para quem trabalha fazendo conteúdo na internet. 
  • A creators economy abre caminho muito rentável para a otimização da relação entre marcas, criadores de conteúdo e as pessoas. Essas comunidades surgem a partir da “Economia da paixão”, onde os creators conseguem monetizar sua habilidade com ajuda desses seguidores.
  • Hoje as DNVB’s, que são empresas nascidas no mundo digital, apoiam-se na imagem dos creators para alavancar seus negócios.
  • A ascensão da Creators Economy é tão relevante atualmente que negócios tradicionais e digitais de altíssimo impacto estão ocupando todas as mídias (não somente as digitais) com seus influencers, seja como pessoas na linha de frente das comunicações ou como integrantes completamente estratégicos, agregando muito valor aos negócios
  • Dentre alguns pontos de atenção a legitimidade precisa a todo instante ser pauta nessas estratégias. A exemplo do Mês do orgulho LGBTQI+, em junho quando as comunidades sabem e compartilham quais marcas se mantêm firmes em sua posição o ano inteiro e quais fazem campanha apenas pelo chamado “Pink Money”.

A oportunidade em “Creators Economy”:

O grande desafio desses geradores de conteúdo nos dias de hoje é ser cada vez mais relevante na altamente disputada batalha pela a atenção das pessoas. Muitas pessoas me perguntam como trabalhar dessa forma com a internet se estamos o tempo todo competindo com vídeos de bebês e memes de cachorros. 

Para isso, é preciso entender que no mundo digital, a velocidade é extremamente necessária. Algo que acontece neste momento, não vai surtir o mesmo efeito se eu deixar para falar daqui 2, 3 dias. A comunidade desse creator vai querer em primeira mão saber quais serão seus próximos movimentos e todas as novidades relacionadas à marca. As comunidades pautam e movimentam os negócios sob condução e organização dos influenciadores.

Dentro do conceito de economia da atenção, eu aprendi que o foco do público é extremamente mutável. Isso pode parecer desanimador, mas com uma coleta de dados em tempo real, com um pulso de cultura bem feito e atenção ao que é trend e o que não é, você pode ter muito mais chances de produzir um conteúdo viral.

Criar uma comunidade forte que compactue com o conteúdo apresentado é o que vai fazer com que ele seja bem sucedido.  Ter 100 fãs ou 1 milhão de fãs não é o mais importante, se mesmo quando com poucos estes forem verdadeiros fãs, eles vão poder causar engajamento o suficiente para fazer com que o business desse criador de conteúdo continue evoluindo e isso é o que realmente importa.

O exemplo disso é o que destaco aqui embaixo, em uma tabela comparativa que mostra o quanto vale uma legião de fãs realmente engajada, apaixonada pelo seu conteúdo.

Uma forma que os creators encontraram para cativar seus maiores fãs é criando conteúdos exclusivos. Mas muitas vezes as pessoas se perguntam “Por que não cobrar por eles?”. A resposta é simples: ao invés do creator se preocupar em atingir desesperadamente um número gigantesco de “seguidores”, ele se concentra em manter seu pequeno público, com muito mais qualidade e consequentemente obter os ganhos desejados pelo seu trabalho. 

Dessa forma eles deixam de depender de plataformas como o YouTube, que paga por cada anúncio inserido antes do seu conteúdo, para serem pagos pelas plataformas por produzirem seu conteúdo, como no caso do TikTok e, em breve, Facebook e Instagram, mas também por gerenciar sua própria marca atrelada a um produto/serviço vendido por ele mesmo para a sua rede de fãs.

Economia da paixão = criação de comunidades

A economia da paixão tem sido o foco principal de muitas conversas minhas com amigos e colegas de trabalho. Desde o início da pandemia, muitas pessoas passaram a tentar monetizar suas habilidades com a ajuda da internet e, mais especificamente, das redes sociais. Hoje em dia todo mundo já conhece um amigo streamer, outro que vende cursos ou algum familiar que fala sobre comida e até vende marmitas online

A exposição de sua habilidade aliada a um conteúdo de qualidade pode gerar resultados animadores. A grande chave dessa exibição é construir uma comunidade que consuma seu conteúdo. Há ainda a possibilidade de outros creators contribuírem com essa construção em forma de colabs – ou colaboração, já que muitas plataformas sociais funcionam assim, sendo também uma forma de expandir o conteúdo para outras base de fãs. Essa troca é muito comum. 

DNVB’s e a imagem da marca nas costas de um creator

Nos últimos anos o crescimento de marcas ligadas à creators só cresceu, como por exemplo podemos citar a Kylie Jenner com sua linha de cosméticos vendida para a Coty Inc e um case mais recente aqui da Adventures com o streamer Baiano e o BaiBurguer.

Dessa forma, as marcas podem transformar a atenção que as pessoas têm do público em ativos. Além disso, os millennials e a geração Z têm mais interesse em valorizar experiências e exclusividade do que status e marcas. Na Adventures, essa verticalização vinda das DNVB’s é toda pautada em dados e tecnologia, onde temos uma visão ampla do que a comunidade necessita. 

O que pode ser resolvido com “Creators Economy”

Esse tema tem movimentado tanto a cultura em geral que crianças de hoje em dia sonham em se tornarem Youtubers, ao invés de sonharem em ser  astronautas. Porém, nesse mercado, os creators ainda acabam dependendo de negócios junto às marcas já que essas tendem a dominar uma fatia maior do mercado. No gráfico abaixo podemos enxergar isso em números – mais de 77% da receita de creators veio a partir de negócios com marcas e empresas. 

Vimos na tese sobre o Metaverso que as marcas podem pensar neste mundo de possibilidades para abrir seu leque de interações com o público. Universos exclusivos e desafios personalizados em plataformas metaversas já estão sendo feitos. Imagine se aliarmos isso aos creators, com metaversos inspirados em grandes nomes do mercado onde a comunidade poderá ganhar NFTs exclusivos do seu ídolo, conseguir comprar itens em lojas dentro desta realidade virtual e até conseguir um meet and greet digital com ele. Esta é uma possibilidade gigante, principalmente para as DNVBs que estão surgindo, conseguirem captar a atenção e monetizá-la. 

A Web 2.0 e o surgimento de plataformas “for free” possibilitaram o surgimento de creators, ou seja, produtores de conteúdo que fazem o upload de seus vídeos ou suas fotos em lugares como Youtube, Instagram e outras redes sociais. Nesse tipo de negócio, as plataformas acabam ficando no caminho entre creator e sua comunidade, algo que não tem agradado a maior parte das pessoas já que elas podem ditar seu modelo de negócio como bem entender. 

Com a Web 3.0, os creators podem ter caminho livre para se comunicar com a sua comunidade, sem depender de intermediários. Neste modelo, as pessoas podem trabalhar com menos protocolos do que a Web 2.0 e assim criar um ambiente muito mais saudável para a sua comunidade. É interessante pensar que creators podem até criar uma moeda única a ser circulada dentro de sua comunidade, onde ela valoriza na medida que o produtor de conteúdo se engajar mais com as pessoas. 

A Creators Economy já é sinônimo de trabalho para muitas pessoas desde a criação de plataformas sociais, que também enxergaram uma ótima oportunidade de negócio oferecendo incentivos aos produtores de conteúdo.

Apesar disso, as comunidades e os creators conseguiram se fortalecer tanto que a tendência para os próximos anos é a descentralização das plataformas. A comunidade já anseia por uma forma mais direta de comunicação sem intermediários e essa tendência já pode ser observada aos poucos.

Não é mais sobre marketing de influência, é sobre Creators Economy.

Abraço,

Rapha Avellar

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