Geração Z e a explosão do Áudio

av_timer 7 min
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Não é segredo para ninguém que eu sou fascinado por descobrir onde a atenção do público está.

Tudo gira em torno de atenção. Ela é o primeiro passo pra qualquer estratégia que você queira colocar pra fora. Se você não tem atenção, você não tem nada.

O mundo é uma competição ferrenha por atenção do consumidor.

E hoje em dia não tem mais desculpa. Qualquer pessoa com um celular na cara pode chamar a atenção do seu público de uma forma mais pessoal e direta do que uma campanha de milhões de dólares há 20 anos atrás.

Hoje, você pode literalmente começar agora. Você pega seu celular, faz um video qualquer, grava um áudio, tira uma foto, e joga na rede para bilhões de pessoas.

Mas se eu fosse você, dentre todas essas opções, eu focaria ainda mais no áudio.

“Beleza, Rapha, mas por que apostar no áudio?”

O tempo é a variável mais escassa do mundo moderno. Fato é que o tempo tem se tornado cada vez mais valiosas em um mundo que se move tão rápido quanto o nosso.

Por isso, temos mensagens mais curtinhas como tweets de 280 caracteres, stories de 15 segundos e tutoriais de 5 minutos no YouTube.

Mas esse tipo de conteúdo ainda requer que você esteja prestando atenção nele para ser consumido. Você precisa parar para assistir ou ler o conteúdo. Por isso a solução tem sido, cada vez mais, restringir o tamanho das coisas, de forma para ampliar a atenção.

Essa é a vantagem do áudio: você consome conteúdo com o mínimo de atenção, podendo desenvolver outras atividades simultaneamente e assim aproveitando melhor seu precioso tempo.

Você não pode ler um post meu e dirigir seu carro ao mesmo tempo, ou malhar, ou trabalhar, ou várias das suas atividades do dia a dia.

Ninguém pensou nisso. É tudo uma questão de oferta e demanda de atenção. Quem aproveita essa brecha, sai na frente.

Quer dizer, a Geração Z pensou. Na realidade, esse é o tipo de conteúdo preferido dela.

E quem é a Geração Z?

A Geração Z é aquela molecada que nasceu entre 1997 e 2010. É uma galera que cresceu durante a recessão nos Estados Unidos, que impactou o mundo inteiro.

É uma geração completamente diferente de todas as outras, ela praticamente nasceu com a mentalidade de “faça você mesmo”. Eles são céticos a respeito de grandes corporações, sentem que faculdade não é mais relevante, e a grande maioria possui o desejo de começar o seu próprio negócio.

Completamente diferente. E é por isso que seus costumes também são completamente diferentes.

Mas o que o áudio tem a ver com a Geração Z?

Essa geração é uma geração criativa e com acesso fácil a qualquer conteúdo. Eles são nativos digitais que nunca conheceram um mundo onde não pudessem encontrar conteúdo a qualquer momento.

E o momento que vivemos, com a pandemia e o isolamento social, apenas destacou ainda mais a paixão da geração Z por usar as plataformas online para atender às suas necessidades, aprender e se entreter.

Uma pesquisa do Spotify confirmou essa tendência sobre reprodução de áudio. Foi registrado que seus usuários, do mundo todo, têm 60 milhões de músicas e mais de 1,5 milhão de podcasts na ponta dos dedos.

E em particular, eles observaram que essa galera está usando podcasts para aprender sobre temas de todos os tipos, de finanças (Boletos Pagos com Nath Finanças) a história sobre os negros (História Preta) e ciência (Matéria Escura), recebendo um acesso sem precedentes a pensamentos e ideias, sem qualquer tipo de filtro.

Na realidade, essas plataformas tecnológicas não só oferecem a oportunidade de descoberta, como também possibilitam que a geração Z colabore, crie e compartilhe, venda e promova seu trabalho de forma independente.

Isso apenas comprova que falamos lá em cima: que essa geração não acredita mais no modelo de educação atual e tem o desejo de empreender.

Diante a uma geração tão diferente, o que as marcas devem fazer para ter a atenção dela é simples.

Outro dado interessante dessa mesma pesquisa do Spotify foi: 91% da geração Z e millennials em todo o mundo nos disse que eles adoram entender como as ideias nascem e isso faz com que se sintam parte do processo criativo. 

Ou seja, as marcas DEVEM focar nesse aspecto da audiência. Faça com que suas mensagens ressoem melhor entre este público, se relacionando a este mindset criativo.

Por exemplo, se a geração é uma geração de aspirantes a empreendedores, fale sobre isso. Crie um podcast que fale sobre essa jornada. Eu, inclusive, faço isso com os meus podcasts Nas Trincheiras e The CMO Playbook.

Uma dica: estando na segmentação “Negócios e tecnologia”, você pode alcançar os fãs desse tipo de programa. Até mesmo, alguém que já escuta outro podcast.

Outro caminho seria criar campanhas específicas para criadores de conteúdo. Se essa é uma geração criativa, por que não apoiar a criatividade e a engenhosidade dos jovens criadores de conteúdo? Crie uma playlist que ajude os usuários a descobrir novos artistas, dê dicas sobre plataforma digitais, fala sobre processo de criação, seja criativo também. 

Essa é a grande sacada: SEJA CRIATIVO.

O áudio, diferente dos outros tipos de conteúdos, oferece uma oportunidade única de engajar profundamente a audiência usando o mínimo de recursos de produção. 

O básico você com certeza já tem: sua voz. Você precisa gravar sua voz. E pra isso, você vai precisar desse cara que está na sua frente: o celular.

O próximo passo é criar um conteúdo que chame atenção e seja relevante pra Geração Z. Eu já te algumas dicas sobre isso no começo do texto.

Mas aqui vão mais algumas: apoie movimentos, fale com a audiência de igual pra igual, dê espaço pra eles serem criativos, fale com comunidades apaixonadas, viva o momento junto a audiência.

Se 79% da geração Z e millennials brasileiros dizem que é mais fácil se sentir conectado a uma comunidade hoje graças às plataformas digitais, é isso que você precisa fazer também.

E a hora de agir é agora. Antes que seja tarde demais.

No Brasil, ainda temos poucos conteúdos voltados para áudio, mas é um número que cresce a cada dia.

Então, se você trouxer um conteúdo de qualidade, tem muitas chances de conseguir um lugar no topo, já que muitos temas e tipos de conteúdo ainda não são tão explorados por aqui.

Talvez essa ideia que está com você a muito tempo seja o coração da próxima tendência, mas você só vai saber quando colocá-lo no ar.

Aliás, gostei de bater esse papo com você. Fiquei até curioso pra saber o que vem por aí 😉

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