As oportunidades criadas pela ascensão do E-commerce na América Latina

av_timer 9 min
COMPARTILHE:

A organização e estruturação de plataformas online do continente somado ao avanço da pandemia e a necessidade das pessoas de estarem conectadas para consumir fez com que a América Latina surgisse como um mercado potencial no mundo do e-commerce. Esses pontos somados às dinâmicas internas e externas do continente criam altas expectativas para nossos próximos anos.

Outros fatores como a queda nos índices de natalidade nos últimos anos, permitiu que as famílias conseguissem consumir mais produtos não essenciais. Para isso, muitas pessoas recorrem à internet e aos novos comércios conectados. Mesmo assim, parte do continente ainda sente receio em relação às compras online por uma questão de segurança. Esse é um dos pontos em que as marcas vão precisar investir para gerar uma maior atração.

De qualquer forma, na medida em que a Geração Z e os Millenials crescem e aumentam sua participação na economia, mais produtos são vendidos online. Essa facilidade de conexão por parte dos mais jovens tem sido incrível para o estabelecimento de diferentes opções de e-commerce, desde os mais focados até os famosos marketplaces.

O QUE QUERO TE MOSTRAR AQUI

  • Algumas empresas conseguiram sucesso no e-commerce após mapear os problemas do continente e trabalhar em cima deles. A América Latina apresenta dinâmicas internas e externas que podem ser supridas diante do estabelecimento de determinado serviço. São Paulo e Cidade do México são duas cidades onde o Uber cresceu absurdamente, por exemplo. Esse sucesso todo foi graças às dificuldades logísticas que a população dessas cidades tinham.
  • Os modelos de negócios baseados na comunidade podem ter mais chances de sucesso. Essas comunidades são hoje grandes precursoras da cultura, principalmente quando estão aliadas a celebridades, atletas e influencers.  
  • O social commerce já existe mas ainda pode ser mais utilizado e aumentar seu  impacto. O e-commerce carece de uma experiência direta com o consumidor e esse novo modelo consegue suprir esse lado ao gerar muito mais interação entre vendedor e comprador.
  • A gamificação do e-commerce pode entregar muito mais interatividade aos consumidores. Pensando até no Metaverso, marcas podem criar universos inteiros que façam os jogadores se sentir parte daquilo e depois monetizar seus conteúdos ou entregar lojas virtuais dentro dessa realidade alternativa.
  • Muitas pessoas, principalmente as mais velhas, ainda sentem insegurança ao comprar online. Seja ao colocar seus nomes ou CPF, muitas pessoas alegam já ter sofrido golpes online. Dessa forma, é necessário pensar em soluções que democratizam o acesso e que também forneçam muito mais segurança em relação aos dados do usuário.

OPORTUNIDADES

As dinâmicas que impulsionam os negócios

Grandes companhias como Uber e Rappi se estabeleceram na América Latina de forma massiva graças às questões de logística e mobilidade. Todos nós sabemos as dificuldades que o continente enfrenta quando o assunto é esse e foi aí que essas empresas conseguiram criar seu modelo. Atendendo uma necessidade da sociedade e disruptando antigos modelos de mercado, ficou mais fácil visualizar o sucesso. 

Na minha visão, o empreendedor que quiser abrir um negócio online por aqui deve pensar nos déficits da região e trabalhar para que a sociedade consiga ter mais opções. Foi dessa forma que vimos startups crescerem e pequenos negócios atingirem níveis absurdos de mercado.

Um negócio que não para de crescer

Uma informação importante que não posso deixar passar é a de que somos um dos continentes mais “internet-friendly” do mundo. De acordo com a GSMA, a América Latina possui quase 450 milhões de pessoas com internet no celular, além de possuir três países (Brasil, México e Argentina) entre os dez que mais usam as redes sociais. Mesmo assim, ainda há muito a ser feito: em comparação com a América do Norte, que tem seis a cada dez pessoas comprando online, nossa região tem apenas uma a cada quatro pessoas conectadas às lojas virtuais.

Isso cria um panorama que me deixa muito animado. A região tem um potencial gigante para atingir níveis parecidos com os nossos vizinhos. Outra questão importante, que faz com que mais pessoas na região comprem online, é a queda nos preços de importação. Com grandes marketplaces invadindo nosso país – como a Shopee e a Wish – essa tendência se mostrou natural e fez com que 2020 fosse o ano dos “first buyers” – pessoas que compraram online pela primeira vez.

Fonte: labsnews.com

O poder da comunidade no e-commerce

As comunidades possuem forte poder de influência nos dias de hoje. Seu engajamento junto às celebridades, atletas e influencers é enorme. Aliás, “comunidades + celebridades” se tornaram a fórmula secreta para movimentar cultura e informação. O que um astro da NBA calça num dia, se transforma em uma  trend na hora seguinte justamente pela resposta de sua comunidade.

Enquanto que nos Estados Unidos o número de pessoas influenciadas por essas personalidades é de 10%, aqui no Brasil esse número salta para 40%. Mesmo com quase um quarto do poder de influência, nos EUA o investimento nas mídias digitais é quase o dobro que em nosso país. Lá, notamos grandes cases de marcas ligadas a celebridades que evidenciam o poder de unir marcas e creators, como o caso da marca de Gin Aviation, que tinha como sócio o ator Ryan Reynolds e foi vendida por 3,3 bilhões de reais. Já no Brasil, vemos esse potencial ser muito pouco explorado. Ou seja, mesmo com os dados escancarados, algumas empresas ainda resistem em criar estratégias e não aproveitam esse imenso oceano azul de possibilidades.

É aí que as marcas, shoppings online e outros setores ligados ao e-commerce podem entrar. Estar presente nas redes sociais, entender como surgem os trends e como as celebridades introduzem novos temas é essencial para monetizar seu conteúdo e promover lançamentos com o maior impacto possível. Talvez seja esse o ponto que vai fazer com que determinada pessoa se torne um cliente potencial do seu negócio e não de outros. A vinculação das lojas às figuras de celebridades é um ótimo jeito de fazer parte do hype e criar laços com as comunidades. 

O advento do social commerce e novas maneiras de consumir online

Retomando um ponto que comentei acima, nosso continente tem um dos maiores índices quando falamos do tempo usado pelos usuários dentro das redes sociais. Esse indicativo é um tesouro nas mãos das lojas online, que podem começar a investir ainda mais em modelos de social commerce. A facilidade de consumir dentro das redes sociais pode fazer com que pessoas não precisem migrar para outras plataformas ou websites no intuito de fazer sua compra. Menos telas para entrar significa menos tempo perdido para o consumidor.

Esse modelo torna a experiência de consumo online muito mais interessante, pois as redes sociais são um ambiente de interação. Você pode dividir rapidamente com seu melhor amigo algum item em que esteja interessado, conseguir reviews muito mais rapidamente. Além disso, as empresas podem conseguir feedbacks instantâneos, algo que também vale ouro nos dias de hoje. 

Fonte: labsnews.com

A partir disso, o que pode ser criado?

Muita coisa pode ser feita traçando todos esses paralelos e ajustando seu negócio às dinâmicas que o continente proporciona. Sempre digo que entender onde o seu consumidor está pode fazer com que você consiga impulsionar de fato a sua loja. A complexidade da América Latina faz com que diversos pontos possam ser explorados pelas marcas a fim de suprir necessidades históricas. 

Do lado das comunidades, ainda há muito a ser feito. A aliança do e-commerce às celebridades é capaz de gerar hype dentro das comunidades e trazer uma legião de fãs para consumir em determinada loja. É nesse ponto que a coleta de dados se torna importante: saber mapear os trends e entender as necessidades de cada comunidade é uma ótima estratégia para angariar seguidores e consumidores. 

E, quando falo em análise de dados, não estou falando daquilo que todo mundo “diz que faz” hoje em dia, estou falando em “negócios inteligentes” com tecnologia capaz de compreender os dados gerados e propor decisões automatizadas, com uso de Inteligência Artificial, por exemplo. Até porque, se há um ou dois anos falávamos em dados como ferramenta do futuro, hoje, o importante é como trabalhar esses dados a seu favor, orientando tanto na operação como na estratégia. E aí, é extremamente difícil que as empresas digitais tenham acesso a tais ferramentas e competências somente com o próprio crescimento. 

Nesse contexto, seguindo a tendência das comunidades em movimentar cultura, o social commerce vem para revolucionar a maneira como compramos online. Aproveitando que boa parte dos latinoamericanos estão nas redes sociais, o modelo de social commerce vem a calhar. A diminuição de telas que as pessoas podem ter para comprar além da interatividade oferecida pelas plataformas sociais, pode fazer com que diversas marcas consigam ter um novo jeito de vender seus produtos com facilidade.

Eu acredito que o futuro também vai caminhar para o live shopping, modelo onde marcas e influencers podem vender itens via livestream. Esse negócio é interessante ao juntar o entretenimento com a possibilidade de consumo. Influenciadores que antes já faziam lives, agora podem se juntar a marcas ou mesmo vender seus conteúdos próprios com muito mais engajamento. 

A segurança ainda é um ponto necessário para se refletir. Aqui no continente, muitas pessoas ainda sentem medo em consumir online pois isso significa colocar suas informações online. Muitos ainda usam dinheiro vivo para realizar transações. Eu acredito que quanto mais as empresas investirem em métodos seguros e opções de pagamento que agradem os consumidores, mais as pessoas sentirão segurança para comprar online. Esse ponto aliado ao crescimento da Geração Z como consumidores pode criar uma revolução dentro do continente. 

O que fica cada vez mais nítido é que, atualmente, o cenário da América Latina é muito particular, mas ao mesmo tempo bastante animador. Conseguimos enxergar uma gama imensa de oportunidades, mas é fundamental que as empresas estejam preparadas para analisar o contexto como um todo e identificar onde estão suas melhores chances de crescimento. E, meus amigos, que fique claro: o futuro do e-commerce na América Latina é esse!

Abraço,

Rapha Avellar

COMPARTILHE: