A nova cara da economia transformada pelos ativos digitais

av_timer 11 min
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NFTs e Criptomoedas em 15 segundos:

Os NFTs (tokens não fungíveis) são itens digitais legítimos e únicos que estão inteiramente assegurados por protocolos e validações via tecnologia blockchain. Em resumo, possuir um NFT, seja ele de qualquer formato, origem ou significado, simboliza a certificação da legitimidade da unidade deste item em sua forma digital. 

E isso tem movimentado cifras gigantescas em criptomoedas e dólares em aportes nunca antes vistos em qualquer transação digital. Artistas, criativos, produtores de conteúdo e suas obras ganhando cada vez mais espaço e visibilidade, bem como marcas estabelecendo uma conexão ainda mais profunda com o ambiente digital, tudo isso tem acontecido em uma velocidade crescente nos últimos meses.

Está acontecendo bem agora enquanto eu escrevo e também enquanto você lê esta tese. Para se ter uma breve ideia do que estamos falando aqui, a imagem abaixo feita pelo artista Beeple (um artista digital com pouco mais de 2 milhões de seguidores no Instagram) teve sua NFT vendida por US$69 milhões.

Google imagens – Obra NFT de Beeple: “Everydays: The first 5000 days”.

Trata-se de uma transformação digital que impacta totalmente a cultura e a economia do mundo 360º.

A alta demanda sobre NFTs e Cripto também tem gerado debates extremamente relevantes sobre consumo de energia, valorização desenfreada de periféricos, democratização dos espaços artísticos e ascensão de uma cultura de consumo inteiramente digital. 

Sobre quais pontos eu quero destacar por aqui:

  • A expansão da popularidade das NFTs, bem como a alta procura pelas moedas digitais (em detrimento de sua capacidade de se rentabilizar com velocidade) aceleram a transformação cultural das pessoas em relação à forma como se conectam na internet.
  • Com isso, diante desta nova maneira de gerar, promover, tracionar renda e ativos, o surgimento de serviços relacionados também apresenta aquecimento em seus desenvolvimentos.
  • A clareza sobre os motivadores para a aquisição das NFTs bem como o que de fato significam para cada pessoa serão temas a serem analisados e explorados ao longo dos tempos. Hoje temos a concepção de posse e coleção sobre itens exclusivos de alto impacto e/ou capacidade de rentabilização, além de aquisição como investimento em ativos com alta capacidade de valorização futura.  
  • Um conjunto perfeito que hoje atende a demanda sobre tração financeira, de uma maneira simplificada e (com certeza) muito agradável é possível de ser encontrado nos jogos baseados em NFTs, onde os players conseguem achá-los nos mapas e resolvendo dinâmicas do game. Os jogos com a proposta do Axie Infinity, por exemplo, obviamente transformaram a cultura sobre investimentos, criptomoedas, NFTs e games.
  • É extremamente importante que um olhar sobre as narrativas e sobre os significados de cada NFT seja bastante apurado. Comunidades, seguidores de determinados artistas e criadores de conteúdo, colecionadores, aficionados e caçadores de relíquias estão adentrando este universo aportando significativas quantias de dinheiro sobre itens onde os contextos são completamente específicos.
  • Com isso, de uma maneira acelerada, temos o nascimento, crescimento e estabelecimento de artistas, criadores de conteúdo e comunidades até então anônimas, mas que diante das NFTs e da volatilidade de sua moeda em questão (geralmente uma criptomoeda), ganhando destaque e conquistando espaços estratégicos na atenção das pessoas.

Um olhar atento sobre comunidades

A tecnologia à serviço de grupos de pessoas, movidos por semelhanças, preferências, interesses em comum é o que de fato tem impulsionado as principais mudanças na cultura deste século. E o que realmente vai pautar toda a transformação iminente pelos próximos anos.

Não se trata de um fator isolado, ou de suas particularidades técnicas. O que move as transformações relevantes nos negócios, na economia e na cultura é no como as pessoas vão se apropriar e utilizar a tecnologia em questão.

Os então usuários assíduos de internet, que consomem e vivem a cultura implementada em rede foram os que promoveram as emblemáticas e pioneiras NFTs do Nyan Cat e do primeiro Tweet na casa dos milhões de dólares.

Os Top Shots da NBA, com os lances emblemáticos da história do esporte, Kings Of Leon lançando um álbum totalmente em NFT e o nascimento veloz de games baseados em NFTs mostram claramente que as comunidades – e seus ávidos interesses – são o protagonistas deste meio milionário. 

Um exemplo prático deste cenário, onde comunidades são o centro das grandes iniciativas digitais pautadas em NFTs e criptomoedas são as chamadas “fan token”, recentemente popularizadas no PSG (com a valorização na chegada do jogador Lionel Messi) e no Sport Club Corinthians Paulista. A partir daqui temos os primeiros cruzamentos de fronteira entre experiências puramente digitais para experiências 360º.

As “fan tokens” promovem a relação entre torcedores e clubes na capitalização de uma moeda específica e particular ao contexto estabelecido podendo ser volatilizada em seu valor. A proposta é que com a aquisição destas moedas, os investidores poderão participar de experiências e estabelecer decisões pontuais que envolvem o futuro do clube. A rentabilidade, por exemplo, da fan token do PSG chegou em 140% de valorização na chegada do jogador argentino vindo do Barcelona.

O gráfico abaixo nos evidencia as cifras sobre esta não tão nova economia, mas neste caso focada em cripto colecionáveis, as quais movimentam grandes comunidades.

Classificações de coleção NFT por volume de vendas –  https://www.cryptoslam.io/

Semana passada apresentei minha tese sobre o “mercado das coisas” e a economia dos colecionáveis. Lá pude evidenciar a importância do contexto econômico em atividades até então classificadas como hobbies. 

Ao escrever esta parte onde direciono o foco de luz para as transformações econômicas e culturais das NFTs e criptomoedas nas comunidades, visualizo a possível relação entre os dois pontos. A tokenização nas formas de investimentos alternativos já é viva nos segmentos dos games, criadores de conteúdo, colecionáveis, esportes promovendo a relação de consumo de  um público acostumado a consumir itens específicos, exclusivos e contextualizados sejam eles físicos ou digitais.

O grande diferencial, então, para a alta rentabilidade e popularização de estratégias voltadas para NFTs e criptomoedas está intimamente ligada à atenção das pessoas. Podemos dizer que sim, as NFTs são a materialização capital da atenção e do hype das infinitas comunidades e possíveis em rede ou fora dela.

Source: cryptoart.io

A disseminação popular e a ascensão criativa em alta velocidade

Uma gama completamente variada, múltipla e remixada está surgindo nas frentes artísticas com a popularização das NFTs. Se antes apenas os nomes categorizados em movimentos específicos da grande mídia eram os grandes reis e rainhas nas fortunas do mercado da produção artística, agora esta porta está escancarada para qualquer pessoa adentrar e estabelecer o seu espaço.

Um exemplo prático disso é do garoto Ahmed, 12 anos, que realizou uma venda na casa dos US$400.000,00 por sua coleção chamada Baleias Estranhas.

Sobre este episódio é importante destacar três pontos: 

1- Ahmed, assim como 70% da população na América Latina não possui conta em banco, mas já movimenta ativamente sua carteira de criptomoedas (moeda principal na comercialização de NFTs). 

2- A geração que nasce no meio digital tende a adentrar nas atividades de receita muito mais cedo e de forma muito mais dinâmica. 

3- Este padrão, de gerar coleções com breves variações na unidade e com quantidade limitada tem sido uma tendência nas criações de NFTs

Com a estruturação de novas formas mercadológicas a criação de um ecossistema se faz necessário.

Além das searas óbvias, dos arcabouços já esperados de serviços como desenvolvimento tecnológico e segurança o desenvolvimento de outras praças é também realidade. Levanto aqui alguns caminhos que sei que podem ser impactados neste exato momento e levados a outro nível no médio e longo prazo.

A garantia de que pessoas não sejam lesadas financeiramente, direitos que não sejam corrompidos, conversões e equivalências aconteçam de forma justa faz com que a evolução de áreas jurídicas aconteçam também em ritmo acelerado.

Serviços atrelados, experiências conectivas e abrangentes poderão estar nas mãos de grupos estratégicos que possam promover inúmeras atividades e soluções criativas do lead to deal

Conglomerados de artistas dedicados e multidisciplinares atuando a serviço de demandas específicas para empresas ou grupos. Envolvendo desde marcos importantes até lançamentos do mundo do entretenimento. 

E, de forma geral, a questão do impacto financeiro e ambiental na mineração e desenvolvimento destes artefatos e moedas digitais. Um dos assuntos mais relacionados às NFTs e criptomoedas tem sido o custo de energia e o impacto que isso tem gerado economicamente e ambientalmente. Conselhos, grupos ativos, empresas, artistas, enfim, unidades onde este ponto seja o norte certamente precisarão ser estabelecidos em diversos níveis e modalidades.


A partir disso, qual a estratégia?

As NFTs e as criptomoedas têm transformado absolutamente a relação das pessoas com os investimentos. O surgimento de games baseados na relação econômica das NFTs é o principal ator (e mais completo) deste enredo.

Com isso, a grande questão que paira no ar é como as marcas vão se inserir neste sistema, potencializando essas relações e obtendo resultados relevantes para suas estratégias de negócios? Como que narrativas entre pessoas e marcas podem ser contempladas através de NFTs e criptomoedas?

A resposta para isso está além da obviedade comercial, de compra e venda, mas sim da catálise de experiências legítimas na construção de histórias personalizadas e exclusivas para cada pessoa ou cada comunidade. 

O metaverso, popularizado e estabelecido nos games, já é ponto relevante na construção de relacionamento e posicionamento das principais (e mais inovadoras) marcas no mundo. Neste universo infinito e digital, qual seriam as portas comerciais e mercadológicas inseridas nele? Certamente podemos esperar marcas e influenciadores tracionando seus negócios através de experiências e serviços únicos para cada pessoa. E, ainda mais, isso tudo estendido às instalações físicas com interatividade e continuidade online – offline.

Uma marca que tem como pilar as relações humanas, registrando eventos, momentos especiais de cada pessoa através de NFTs e/ou bonificando em criptomoedas específicas a cada comportamento digital realizado, ao invés de milhas que vencem, pontos de fidelidade que não necessariamente são garantias de relacionamento duradouro. De repente uma startup que promove a saúde, premiando performances em seu app com NFTs de suas celebridades preferidas ou acumulando moedas digitais para serem utilizadas em equipamentos ou experiências esportivas. São infinitas as possibilidades.

A fácil didatização e popularização de moedas digitais, variadas em seus contextos de existência, sendo comercializadas e acompanhadas como ativos financeiros seguros para populações que não possuem conhecimento financeiro através de games. 

E com isso as redes de conexão entre marcas centenárias e uma geração nascida no Roblox (um game nos moldes básicos do metaverso popular dentre os mais novos da geração Z) é possível e real. Algo nativo, um ambiente presente desde a juventude, até as etapas adultas em sistemas gamificados, seguros e 100% assertivos sobre a atenção e interesse das pessoas e suas comunidades. É sobre isso que as estratégias voltadas para NFTs e criptomoedas precisam estar estruturadas.

Com isso, a partir daqui, a cultura e a economia ganham um novo capítulo. Não restritamente digital, mas inteiramente voltados a uma experiência 100% centrada na atenção de pessoas e comunidades.

Abraço,

Rapha Avellar

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