A importância do conhecimento na Indústria da Cannabis

av_timer 11 min
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A Cannabis vem revolucionando diversas indústrias e pavimentando uma série de mercados na medida em que mais países retiram restrições impostas historicamente. Com o avanço da ciência, hoje já é possível ver produtos à base de CBD – substância encontrada na planta Cannabis – nas prateleiras de farmácias pelo país e também com o cânhamo, uma outra planta vinda da espécie.

Fonte HMBR – Cânhamo e a Maconha são plantas da mesma espécie, no entanto, são geneticamente distintas e utilizadas para finalidades diferentes.

Traçando um paralelo com o Estados Unidos, em que mais de 38 estados legalizaram a cannabis medicinal, nosso país ainda vai enfrentar um longo caminho pela frente. De maneira geral, isso se torna uma grande oportunidade para empreender aqui. Aliás, já vi que algumas startups brasileiras têm se movimentado nesse sentido, esperando apenas a diminuição das restrições para funcionar a todo vapor.

Outro ponto que tem quebrado todas as barreiras quando falamos de Cannabis é a movimentação de creators e celebridades dentro do assunto. Eles são um dos grandes responsáveis por pavimentar o mercado cannabico, investir em seus benefícios e criar hype em cima disso. Além de todos esses pontos, eles têm a capacidade de movimentar a cultura ao gerar engajamento dentro das comunidades e mudar os panoramas relacionados ao lifestyle cannabico.

O QUE QUERO TE MOSTRAR AQUI

  • Da moda aos cosméticos, a Cannabis pode revolucionar diversas indústrias na medida em que restrições vão caindo por parte dos países e mais pessoas passam a adotar a planta para a produção.
  • O uso medicinal tem sido um dos grandes trunfos para uma maior liberação por parte dos países. Já foi comprovado cientificamente que o uso do CBD é benéfico para pessoas com Alzheimer e outras doenças relacionadas à saúde mental.
  • A ascensão do mercado cannabico é favorável para o comércio em todos os pontos: do produtor passando para o setor de logística e chegando no vendedor. O ecossistema que se cria a partir dessa planta precisa ser aproveitado no Brasil.
  • Algumas startups já anteciparam negócios relacionados à Cannabis no Brasil visando uma diminuição das restrições por aqui. Pensar antecipadamente pode ser uma grande saída ao invés de aguardar a liberação para começar.
  • Hoje, já não é novidade ver creators e celebridades investindo no mercado cannabico. Esse tipo de negócio aliado à suas imagens, ajuda a gerar engajamento nas comunidades e principalmente a introduzir a discussão de maneira democrática.

OPORTUNIDADES

Estamos em um ponto importantíssimo para pensar em modelos de negócios envolvendo a Cannabis. Diante de todas as comprovações científicas e baseando-se na revolução que o tema causou em diversos países que diminuíram suas restrições, é natural pensar que nosso país caminha para essa flexibilização. E aqui eu quero deixar bem claro que quanto mais cedo você pensar nisso, mais estruturado seu negócio estará em um cenário de menores restrições.

Analisando o cenário internacional e entendendo nosso modelo de mercado, surgem questões importantes a mencionar:

O dinamismo da planta e sua eficácia em várias pontas é um dos motivos que a fizeram revolucionar o mercado.

Na medida em que o mundo moderno abraça a cannabis e suas funcionalidades, mais empreendedores usam a planta para a produção de diversas mercadorias. O cânhamo, que também pertence à espécie da Cannabis Sativa, tem se destacado por sua eficácia na produção de roupas, itens e até em suplementos nutricionais.

Além disso, o CBD que é extraído da Cannabis pode ser utilizado de diferentes formas. De remédios para epilepsia a óleos e tópicos específicos, essa substância inclusive foi utilizada por alguns atletas olímpicos em Tokyo. Alguns já relataram os benefícios de seu uso, principalmente quando o assunto é a contenção da dor e redução da ansiedade. Tokyo foi a primeira sede olímpica a liberar o uso de alguns tipos de CBD em uma edição dos jogos.

Neste gráfico podemos ver o quanto a liberação da cannabis tanto para uso medicinal, quanto recreativo, tem crescido nos últimos anos.

Fonte – https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2020/02/como-funciona-industria-da-cannabis-no-brasil.html

A influência da cultura na comunidade e seu engajamento na democratização do assunto

Com o poder das celebridades em gerar influência dentro das comunidades, já não é mais novidade ver essa movimentação na tentativa de democratizar o assunto. Um estudo recente da Morning Consult com a The Hollywood Reporter mostrou que 36% da Geração Z e até 19% dos Baby Boomers admitiram que as opiniões de celebridades influenciam em suas decisões sobre temas sociais.  

DJ Khaled, Mike Tyson, Magic Johnson e Megan Rapinoe são algumas das celebridades internacionais que também investiram no mercado. Seus produtos vão do recreacional ao CBD, que é utilizado e defendido por alguns atletas como a Megan. Aqui no Brasil, a atriz Marina Ruy Barbosa e sua marca Ginger lançaram uma coleção de roupas com fibra à base de cânhamo, que pode substituir outras matérias-primas menos sustentáveis.

Alguns jogadores da NFL, liga de futebol americano, já admitiram que usam a Cannabis para lidar com as pancadas de jogo e até mesmo para a ansiedade. Inclusive, vale lembrar que esse ano foi o primeiro em que a liga tirou o THC da lista de substâncias proibidas durante as férias dos jogadores. Somando isso ao valor e engajamento que um jogador da NFL pode gerar, está aí uma prova de que o assunto tende a só crescer daqui pra frente.

Outro esporte que ganhou o direito de usar os benefícios do CBD em prol da saúde foi o MMA, já que os lutadores sofrem regularmente com dores, contusões e outras traumas devido às fortes pancadas. O próprio Mike Tyson,  sabendo das dores que o boxe lhe causava, hoje se tornou um forte investidor da cannabis.

De geração para geração


Dos 50 estados norte-americanos, 39 já possuem legislações favoráveis à comercialização e ao uso recreativo e medicinal da Cannabis. Depois do avanço que o debate teve nos últimos anos por lá, a facilidade em encontrar diferentes produtos e a garantia da qualidade de produção e venda fizeram com que milhares de americanos procurassem seus derivados.

Com essa onda de legalização nos estados, houve um crescente aumento no interesse pelo uso da cannabis em pessoas com mais de 65 anos de idade. Na maior parte, a procura foi para uso medicinal mas também houve um número significativo para o uso recreacional. Um estudo feito pelo JAMA Internal Medicine mostrou que no ano de 2019, os Estados Unidos tiveram um aumento de 75% no uso da Cannabis por pessoas com mais de 65.

Aqui eu consigo imaginar que as gerações mais velhas podem se beneficiar com a democratização desse debate. A planta pode se tornar uma forma de amenizar as dores que a idade pode trazer e consequentemente abrir uma série de oportunidades para produtos focados nesse público. Talvez a Cannabis possa contribuir para que todos tenham acesso a uma velhice saudável.

No Brasil

O plantio ainda não é permitido aqui no país, mas mesmo assim já é possível encontrar produtos para uso medicinal nas farmácias. As marcas já podem produzir o CBD no país e as restrições ficam por conta de quem compra. É necessário preencher formulários e atestar um laudo médico comprovando a necessidade de uso para a Anvisa 

Uma oportunidade que nasceu a partir da demanda para o consumo medicinal foi o da hub brasileira, MedIn, especializada em atendimento médico online que oferece prescrição de tratamentos à base de cannabis de acordo com a necessidade de cada paciente.A indústria de cannabis tem um potencial promissor e chamado atenção dos investidores – de acordo com a Kaya Mind, existe a expectativa que o mercado brasileiro possa gerar 117 mil empregos e movimentar R$ 26 bilhões até 2025 com possíveis regulamentações.

Entre os tipos de ações se destacam as empresas que unem cannabis e tecnologia, principalmente no que se refere ao acompanhamento de toda a cadeia de produção da indústria. Aqui no Brasil, por exemplo, a corretora Vitreo oferece a opção de um fundo de investimento voltado para o mercado de cannabis, fazendo com que seja possível aquecer o mercado, mesmo que ainda não tenha produção.

A partir disso, o que pode ser criado?

Considerando o estágio inicial que temos aqui no Brasil, já consigo imaginar milhares de negócios surgindo graças ao dinamismo que a Cannabis pode oferecer. Lá fora, diferentes mercados já exploram a planta trazendo competitividade e introduzindo novos produtos para o consumidor. 

Do lado medicinal, os pedidos de liberação de plantio para consumo próprio têm aumentado constantemente. Já temos milhares de pacientes aguardando formas de se obter os benefícios da planta sem precisar pagar caro para importar. Abrir as portas para o cultivo medicinal brasileiro pode movimentar cerca de R$4.7bi, de acordo com a The Green Hub. Diversas empresas já manifestaram interesse no cultivo para a Anvisa, mas isso não quer dizer que não possamos ver mais outras endossando o pedido. 

Algumas novas profissões também podem ser criadas dentro deste contexto. Empregos ligados à distribuição de CBD; Publicidade e marketing; Produção de embalagens próprias e até a criação de uma caixa mensal por assinatura. Essas são algumas coisas que passam pela minha cabeça e me deixam empolgado com o futuro deste negócio.

A indústria de comidas e bebidas também pode ter um novo panorama com a chegada de regulamentações mais brandas. Drinks e comestíveis com doses de CBD são capazes de gerar hype considerando que as pessoas adoram sair para comer e beber. Os famosos snacks também podem ser levados em consideração para a elaboração de novos sabores. Dá pra imaginar também alguns restaurantes surgindo baseando seu cardápio na planta ou até mesmo algum antigo estabelecimento inovando no cardápio com este novo ingrediente. 

Um mapa feito pelo Grupo Brasileiro de Estudos Sobre a Cannabis com a startup Adwa mostrou que o Brasil possui 80% do seu território apto para o plantio da Cannabis Industrial. Isso mostra que o potencial não está só no comércio mas também em nossas terras. Novos empreendimentos agrícolas podem decolar caso o plantio seja liberado por aqui. 


Em outros países já é possível trabalhar como uma espécie de bartender / farmacêutico das plantas de cannabis, a profissão que leva o nome de budtender tem feito muito sucesso no Canadá. Imagina você poder chegar em uma loja e contar quais são os tipos de problema que gostaria de solucionar a partir do uso da planta e ter alguém que possa te indicar da melhor forma o que é apropriado para sua saúde, sem medo de estar fora da legalidade.

Pensando também em sustentabilidade, grandes marcas como Nike e Adidas, já investem em propostas de produtos a base de materiais nada tradicionais. A Adidas está criando uma linha chamada plant-based feita a partir de couro de cogumelo. E a Nike lançou no ano passado uma versão do tênis Air Force 1 feito a partir de fibra de cannabis. Esta seria uma ótima saída para a produção de itens materiais em couro do tipo sustentável.

E pensando nas DNVB’s essa seria uma forma de alavancar negócios 100% digitais associado a celebridades – já que essa seria uma maneira de atrelar o produto a sua imagem, gerando engajamento pelo fato das pessoas darem mais chance em conhecer sobre o mercado. O fator de confiança é algo que influencers, famosos e creators conseguem trabalhar muito bem por conta de sua notoriedade e dessa forma abrir a porta para negócios no Brasil.

Muita coisa ainda vem por aí, é estimado que em 2027 o mercado global de Cannabis atinja a marca de U$73.6B.

Acredito que a partir de uma visão mais empática sobre a necessidade das pessoas que procuram por um tratamento médico, os negócios poderão escalar caminhando na medida em que as restrições se tornam mais brandas. As oportunidades surgem desde os primeiros estágios de produção e só terminam com produtos na prateleira, principalmente ao considerar o potencial brasileiro para este novo mercado que está surgindo. 

Welcome to the green business 🍁 

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