CONSTRUA UM NEGÓCIO, NÃO UM BRINQUEDO PARA INVESTIDORES

Há anos temos estampado no manifesto de Visão da Lince que:

acreditamos em construir negócios, ao invés de simplesmente fazer negócios.”

Diferença essa que a primeira vista parece apenas semântica, não é?!

Errado. Muito errado.

Bastante gente parece ter uma falta de compreensão do que é preciso para construir alguma coisa. O que mais me assusta em primeiro lugar é a falta de ação. E em segundo é esquizofrenia atual no cenário de start-ups.

Há muitos de vocês por aí com as mesmas perguntas. “Como estruturar a minha ideia?” Ou “Como executar um negócio bem sucedido?” Ou “Como vender?”. E tantas vezes quanto você perguntar, eu vou lhe dar a mesma resposta: é preciso paciência e talento… além de um bilhão de outras coisas. É impossível apontar um só fator. Mas uma coisa eu sei. Não tem caminho mais curto…

…É fazer! E fazer. E fazer.

No entanto, o mais frustrante é que não importa quantas vezes as pessoas escutem essa resposta, a maioria ainda não está realmente colocando nada em prática.

Uma boa maneira de não fazer nada é ficar em casa assistindo a todos os episódios de Shark Tank, ou lendo todos os livros do Steve Blank. Ficar apenas sonhando acordado, pensando o dia todo sobre qual será seu próximo passo. Sem o menor esforço para sair do lugar.

Pessoalmente, quando eu tenho uma ideia, executo sobre ela imediatamente. Gosto de estar constantemente em movimento. Estou sempre mudando meus produtos, serviços, meu pricing, a forma como faço meu marketing, enfim… mudando meu jogo.

Vou refazer quinhentas vezes minha apresentação da LinceRadio porque tenho idéias diferentes sobre como vendê-la melhor.

A regra básica é que independente de quanto você se prepare, isso só te leva até um ponto e…

…em algum momento você precisar executar!

No âmbito das start-ups, vê se me entende, não é que eu não apoie o empreendedorismo. Muito pelo contrário. Sou viciado em negócios. E inclusive sou bastante presente no cenário emergente. Entretanto, com Shark Tank, filmes do Jobs, do Facebook e todos esses “unicórnios” a solta. Com verdadeiros desinvestimentos rápidos e aberturas de capital estrondosas, entendo porque o pensamento está distorcido.

Mas não, não é apenas porque um VC ou investidor anjo lhe apoiou que sua empreitada fará dinheiro. Entenda de uma vez por todas…

quem decide é o mercado, não uma planilha de excel…

Me pergunto todos os dias onde está a discussão sobre as milhares de empresas que faliram porque focaram suas energias e seu tempo em construir um brinquedinho para agradar os modelos financeiros dos investidores. Ao invés de construir um negócio sólido de verdade. Pautado na estrutura e não somente na aparência.

Será que sou apenas eu que penso que essa mentalidade de focar nos milestones do próximo round é míope?

Se eu parasse pra contar o número de vezes em que optei por deixar grana na mesa pra tomar uma decisão de longo prazo me faltariam dedos!

O lance é ganhar o jogo, não o primeiro set.

Nessa cultura de “conseguir investidores” vejo tanta gente focando 100% do seu tempo em melhorar seu pitch, ajustar as projeções, literalmente acreditando que se levantarem dinheiro suficiente magicamente o negócio vai dar certo. Errado.

Acredito no fato de que aprender vendas, ganhar dinheiro de verdade, isso sim.. é uma habilidade crucial no desenvolvimento de qualquer empresa.

Não é necessário ser nenhum gênio pra queimar 2 milhões de reais por mês. Mesmo assim, todos os dias, encontro empreendedores que são realmente bons em perder dinheiro e depois conseguir mais capital… só para perder mais dinheiro no ano seguinte.

Essa cultura de comemoração do fracasso, onde qualquer um consegue um funding de 3 milhões para sua ideia de merda não é só bizarra, como também é triste. Estão ensinando as coisas erradas aos jovens. Você precisa construir algo sólido, caralho!

Uma porrada de garotos de 17, 18, 19 e 20 anos pensam que a maior habilidade que podem aprender é a de conseguir investimento.

Eles pensam que para ser um empreendedor precisam aprender sobre valuation, stock options, termos de contrato, ou aprender custos de aquisição de clientes e growth hacking.

Mas calma… o problema não é o conhecimento…

…o problema é que eles querem aprender não para construir um negócio, mas apenas para garantir sua próxima rodada de financiamento!

Devido a glamuralização do empreendedorismo perdemos fundamentalmente a arte de construir um negócio real. Um negócio rentável, que paga suas próprias contas e que pode vir a ser seu maior legado.

Quando eu comecei com a LinceRadio, não precisei de nenhum investimento de fora e, até hoje, continuo a operar dessa forma. Como? Porque eu construí um negócio real. Todo o dinheiro que fazemos é posto de volta na empresa para realizar as coisas que nos levarão para onde queremos ir. Faça dinheiro, e ai sim, cresça.

Eu entendo o que significa construir um negócio.

Não estou nele pelos aplausos ou pelas fotos no iate. Não quero andar de jatinho mesmo que um dia eu possa. Ou qualquer outra merda que você vê postada no Instagram.

Estou nessa jornada porque business é a minha paixão.

E se você quer ter a chance de construir alguma coisa, é isso que deveria te conduzir também.

 

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